O Edentulismo deve atingir mais de 80% dos idosos brasileiros até 2040

Edentulismo: quando os dentes dão “adeus”

Já imaginou acabar perdendo todos os seus dentes? O Edentulismo, seja ele total ou parcial, é sem dúvidas um pesadelo para muita gente. Confira algumas consequências desse problema para a sua saúde física e mental e descubra como se proteger!


Índice

1. O que é o Edentulismo?

2. Consequências do Edentulismo para a saúde física e mental

3. O que você precisa fazer para se proteger

“Edentulismo”? O que é isso?

Você já tinha ouvido falar no Edentulismo? Essa condição é definida como a “perda de todos os dentes permanentes” e costuma ocorrer em consequência de problemas de saúde bucal não tratados da forma correta.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Edentulismo impacta de forma substancial a qualidade de vida e a saúde dos indivíduos afetados, como vamos te explicar melhor neste texto.

E isso vale mesmo para casos em que o paciente ainda preserva parte da sua dentição, quadro conhecido como “Edentulismo Parcial”.

É importante acrescentar que, embora os idosos representem a maior parte dos edêntulos totais ou parciais, esse problema também pode atingir os mais jovens.

Com efeito, estudos realizados no intuito de determinar os fatores sociais, comportamentais e de saúde envolvidos na perda de dentes revelaram informações interessantes a respeito da prevalência desse fenômeno entre pessoas com menos de 60 anos.

Fatores socioeconômicos e comportamentais associados ao Edentulismo

Um artigo publicado em 2016, nos Estados Unidos, sugere que a manutenção de hábitos não saudáveis, como o uso do cigarro, junto a condições sociais desafiadoras, como o desemprego, sejam um grande fator de risco para o Edentulismo.

Todavia, nessa análise, o nível de educação formal não se mostrou correlacionado com a proporção de edêntulos, ao contrário do que foi verificado em outros estudos.

Pesquisas conduzidas na Nigéria e na Romênia, por sua vez, indicam que tanto as circunstâncias socioeconômicas como o grau de escolaridade estejam fortemente associados à perda da dentição.

E, apesar de os fatores de risco para o Edentulismo variarem de região para região do globo, o Brasil segue a mesma tendência observada nos países citados no parágrafo anterior.

Em outras palavras, a incidência de edêntulos é maior entre indivíduos de baixa renda e menor nível de educação formal.

O Edentulismo entre pessoas não-idosas costuma ser mais prevalente em comunidades com menos recursos e com um nível menor de escolaridade. (Fonte: Masterfile).

No entanto, avaliações estatísticas apontam para uma redução gradual da porcentagem de edêntulos entre jovens e adultos brasileiros.

Em contrapartida, o Edentulismo em idosos apresenta um ritmo de crescimento acentuado. Quanto às projeções para o futuro próximo no contexto nacional, estima-se que, em 2040:

-> A taxa de edêntulos adolescentes seja zerada;

-> Apenas 1,77% dos adultos apresentem um Edentulismo Total;

-> 85,96% dos idosos sejam edêntulos totais. Isto significa que, dentro de 2 décadas, haverá mais de 64 milhões de indivíduos acima dos 60 anos que não possuam mais dentes naturais.

Agora que você já sabe o que é o Edentulismo e conhece alguns dos fatores socioeconômicos que contribuem para a sua ocorrência, confira quais são as principais consequências desse problema!

Consequências do Edentulismo para a saúde mental e física

O primeiro impacto causado pelo Edentulismo que se torna perceptível é, sem dúvida alguma, as mudanças anatômicas que sucedem a perda da dentição.

Quando um dente se desprende ou é removido da boca, o organismo inicia uma reabsorção do processo alveolar, que é a região do osso alveolar onde fica o espaço no qual o elemento dentário se encaixa.

Ou seja, se o indivíduo não realizar depressa um implante, ele acabará perdendo por completo o local de encaixe do dente.

E esse efeito, é claro, estende-se completamente por ambas as arcadas no caso dos edêntulos, o que modifica bastante a aparência dos rostos deles.

Na figura a seguir, retirada de um artigo publicado no Jornal da Associação Dental Canadense, você pode conferir melhor essas mudanças:

Como você pode ver, a ausência total de dentes faz a maxila (maxilar superior) “se encolher”, aproximando-se da ponta do nariz.

Tais alterações estéticas acarretam um grande peso emocional para o edêntulo, especialmente quando essa pessoa ainda não é idosa.

Conforme um estudo realizado na Índia, muitos não estão preparados para “aceitar” a realidade da perda dos dentes ou para lidar com suas consequências.

E essas dificuldades de aceitação mostraram-se conectadas a uma predisposição maior ao desenvolvimento de quadros depressivos.

Na verdade, especificamente entre os mais jovens, parece haver uma associação clara entre o Edentulismo e a depressão.

Pode-se compreender que, para os edêntulos não-idosos, a perda da dentição “precoce”, aliada à perspectiva de que esse problema se estenderá pelo resto da vida, parece exercer um efeito mais drástico sobre a saúde mental.

Contudo, as consequências do Edentulismo, independentemente do momento em que ele se instale, estendem-se para além dos aspectos estéticos e psicológicos, como você verá a seguir.

Dificuldades físicas e problemas de saúde sistêmica associados ao Edentulismo

Você talvez ainda não saiba disso, mas os dentes não servem “só” para permitir que os alimentos sejam mastigados.

Na verdade, essas estruturas também desempenham um papel importante na fala, auxiliando na pronúncia de consoantes (se quiser fazer o teste, tente falar um “F” e veja se você não usa seus dentes para isso!).

Isso significa que a perda dentária impacta tanto a nutrição de um indivíduo, ao comprometer sua capacidade de mastigação, como também a sua habilidade de se comunicar (o que pode gerar uma sensação de frustração ainda maior).

Além disso, devido ao fato de o Edentulismo ser o marco final para doenças bucais graves, como as cáries e as infecções no periodonto, ele encontra-se associado a condições sistêmicas severas.

Um estudo de 2013 afirma que a perda de dentição está relacionada a:

-> Problemas cardiovasculares;

-> Diabetes;

-> Distúrbios gastrointestinais;

-> Maior risco de desenvolvimento de problemas renais, dentre outros.

Isso pode ser explicado a partir da análise dos efeitos das doenças bucais sobre o organismo como um todo. Afinal, é sabido que as bactérias que causam desequilíbrios na cavidade oral podem espalhar-se para outras partes do corpo.

Como bactérias bucais podem afetar outras regiões do organismo

As bactérias bucais podem cair na corrente sanguínea, num processo conhecido como “bacteremia“. Basicamente, feridas nos tecidos da boca podem ser a porta para que os micro-organismos se espalhem.

Quando entram em contato com tecidos como os dos vasos sanguíneos, essas bactérias liberam toxinas que estimulam o surgimento de respostas inflamatórias.

O problema é que espécies químicas envolvidas nos processos inflamatórios induzem transformações negativas em substâncias importantes, que passam a afetar o organismo de forma perigosa.

Por exemplo, algumas dessas espécies químicas provocam mudanças em moléculas de gordura, que começam a se acumular nos vasos sanguíneos.

Essas moléculas de gordura modificadas, muitas vezes junto com as próprias bactérias periodontais que contribuíram para iniciar a inflamação, causam um endurecimento das paredes das artérias, dificultando o bombeamento do sangue e dando origem ao distúrbio conhecido como “aterosclerose“.

Ademais, há também evidências de que os micro-organismos bucais podem estar relacionados com dificuldades no controle glicêmico, que servem como ponto de partida para o diabetes tipo 2.

Como respostas inflamatórias típicas de quadros de periodontite estão associadas ao estabelecimento de uma resistência à insulina, é possível que esse seja o mecanismo que explica o elo entre doenças periodontais e o diabetes.

Por fim, é um fato reconhecido que as bactérias que inflamam o periodonto também conseguem alcançar o cérebro. Lá, esses micro-organismos podem ocasionar uma degeneração de proteínas importantes para o bom funcionamento cerebral, convertendo-as em substâncias que prejudicam os neurônios.

As bactérias periodontais também podem estar por trás de um maior acúmulo de moléculas chamadas beta-amiloides, que se depositam entre as células nervosas e comprometem as funções delas, contribuindo para a instalação de um quadro de Alzheimer.

Se você já se convenceu do perigo que é perder os seus dentes, aprenda a evitar esse problema na seção a seguir!

Como evitar a Perda de Dentes

O Edentulismo pode ser prevenido com uma escovação adequada e com idas regulares ao Dentista!
Se você se cuidar direitinho, vai poder chegar à idade deles assim: sorrindo!

As principais causas do Edentulismo, seja ele total ou parcial, são as cáries e as doenças periodontais. Por isso, para se proteger, você deverá redobrar seus cuidados com a sua saúde bucal!

Para manter seus dentes livres de placa bacteriana, você precisará escová-los ao menos 2x por dia com movimentos suaves e circulares (e durante 2 minutos!).

Use uma escova de cerdas macias e “penteie” seus dentes com delicadeza, sempre no sentido da gengiva para o dente.

Dessa forma, você conseguirá os benefícios do controle da proliferação de bactérias sem correr o risco de ferir os tecidos moles da sua boca.

Como indicam certas evidências científicas, uma escovação muito vigorosa pode causar danos à gengiva, acarretando uma retração desta.

Por que você precisa proteger a sua gengiva

A gengiva exerce a função de recobrir a raiz dentária, evitando que ela fique exposta ao ambiente externo. A raiz, diferentemente da porção comumente visível do elemento dental, não é revestida por esmalte, mas por cemento, que é um tecido menos duro.

Isso quer dizer que a raiz é uma zona mais frágil, na qual uma cárie tende a progredir com mais rapidez, logo levando à perda definitiva do dente.

Controlar a placa é fundamental também para prevenir o acúmulo de bactérias em regiões próximas à linha da gengiva ou abaixo desta (ou seja, diretamente no periodonto).

É necessário que os elementos periodontais mantenham-se seguros, pois as toxinas liberadas por certos micro-organismos bucais geram respostas inflamatórias que podem levar à destruição dos ossos e ligamentos que sustentam os dentes, provocando o desprendimento destes.

Portanto, ter uma técnica de escovação adequada é algo necessário não só para manter sua boca livre de bactérias perigosas como, também, para garantir que nenhuma estrutura dentária ou periodontal ficará fragilizada.

Você pode conferir mais informações sobre como escovar seus dentes corretamente clicando aqui!

Por que ter uma técnica de escovação perfeita não é suficiente

Por mais que você escove os seus dentes com perfeição, isso por si só não garantirá que sua boca estará 100% protegida.

Outros fatores, como seus hábitos e a sua genética, podem interferir na sua predisposição a desenvolver as doenças bucais que citamos neste texto.

Assim, a única maneira de ter certeza de que seus dentes vão ficar bem é aliar a escovação adequada às idas regulares ao Dentista!

E este foi o nosso post sobre o Edentulismo! Não se esqueça de cuidar bem da sua saúde bucal e visitar o seu Dentista pelo menos 2x por ano, OK? Só assim você poderá garantir que seus dentes vão permanecer onde devem!

Um abraço e até a próxima!

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