3 motivos pelos quais você deve evitar os Sulfatos!

Se você já leu o rótulo de um shampoo ou de uma pasta de dente, certamente encontrou um tal “Sodium Lauryl Sulfate”! Afinal, o que essa substância faz? Ela é segura para humanos e para o meio ambiente? Descubra agora 3 pontos polêmicos sobre o uso dos Sulfatos!


Os Sulfatos são compostos encontrados nos mais diversos produtos de higiene e beleza.

Eles podem estar no desengordurante que você usa para limpar seu carro, no seu shampoo e, até mesmo no seu creme dental! Por isso, é bastante provável que você lide com essas substâncias no seu dia a dia.

Porém, apesar de muitos fabricantes afirmarem que esses ingredientes são, a princípio, seguros para o consumo, a ciência já comprovou que a história nem sempre é assim.

Por isso, confira agora 3 motivos pelos quais você provavelmente vai preferir evitar os Sulfatos!

O que são os Sulfatos? Para que eles servem?

Os Sulfatos são espécies químicas que contêm o ânion (íon de carga negativa) SO42- .

Apesar de muitos compostos encontrados na natureza possuírem esse íon em sua estrutura (como, por exemplo, o gesso que usamos nas paredes!), ele também é utilizado como base para componentes sintéticos, como muitos detergentes!

Isso quer dizer que diversos Sulfatos que não se formam naturalmente podem ser produzidos e utilizados pelos seres humanos.

De um modo geral, é comum que substâncias fabricadas em laboratório a partir do SO42- sejam empregadas em materiais de higiene devido à natureza química desse íon, que o permite formar surfactantes.

E o que seriam esses “surfactantes”?

Surfactantes (conhecidos também como “tensoativos“) são, basicamente, produtos que podem agir como detergentes.

Os tensoativos são, desta forma, materiais capazes de interagir simultaneamente com fluidos que não possuem muita afinidade um pelo outro, diminuindo a chamada “tensão superficial” entre eles.

Como funciona essa “tensão”? E por que é interessante que ela seja reduzida?

A “tensão superficial” é uma propriedade que decorre do desequilíbrio das forças atração que atuam sobre as moléculas da superfície de um líquido.

Por exemplo, imagine que você está observando um recipiente contendo água. Caso um inseto decida pousar nesse líquido, é bem possível que ele simplesmente acabe conseguindo fazer isso sem afundar!

Para os mais céticos, trouxemos a imagem a seguir com a comprovação desse fenômeno:

Como o inseto que daríamos de exemplo não era lá muito bonito, decidimos ilustrar a tensão superficial da água com este registro de um lagarto basilisco!

Isso acontece porque as partículas de água que estão logo abaixo da superfície atraem e são atraídas por todas as partículas ao seu redor, como se estivessem numa brincadeira permanentemente empatada de “cabo de guerra”.

Porém, as moléculas que estão literalmente localizadas na superfície não têm outras partículas de água líquida acima delas, ou seja, acabam sendo “puxadas” apenas para baixo e ficando um tanto mais “fixas”.

Este esquema do Brasil Escola nos ajuda a visualizar o efeito da tensão superficial!

Esse processo acaba formando uma película superficial de água com alguma resistência à penetração de insetos e pequenos objetos e animais!

Devido a isso, quando vamos lavar nossas mãos ou limpar um azulejo, acabamos usando um sabonete junto com a água para reduzir a tensão superficial entre esse líquido e a sujeira (que costuma não possuir uma afinidade química com a água desde o princípio).

Em resumo, é interessante que a tensão superficial seja amenizada para que as impurezas sejam removidas de forma eficaz!

E como os surfactantes fazem isso?

Os surfactantes são capazes de intervir na tensão superficial devido fato de suas moléculas contarem com uma região que possui afinidade maior com a água e outra que “se dá melhor” com produtos oleosos.

No momento em que essas substâncias têm contato com a fronteira entre a água e a gordura, eles conseguem interagir com ambos os materiais, reduzindo a tensão que os mantêm quase isolados um do outro.

Isso facilita a retirada das impurezas e torna os tensoativos, como os Sulfatos, particularmente úteis para a fabricação de produtos de higiene pessoal e doméstica.

Mas não é só por isso que adicionamos essas substâncias aos materiais de limpeza!

Já reparou que, quando utilizamos um detergente, costumamos observar que uma grande quantidade de espuma é formada?

Essa espuma contém um segredo que você vai descobrir a seguir!

O segredo da espuma!

A formação espuma é uma consequência da redução da tensão superficial da água provocada pelo surfactante, que faz que um tanto de ar possa adentrar o líquido e produzir bolhas.

E essa produção de bolhas é particularmente grande quando o tensoativo utilizado é um Sulfato!

Mas, o que isso tem de especial?

Acontece que acabamos nos acostumando a associar a produção de espuma a uma percepção de limpeza.

Isto significa que, por vezes, os Sulfatos são acrescentados a produtos de higiene e beleza mais pelo efeito psicológico do que por uma necessidade.

Portanto, quando um produto já possui outros ingredientes (que, inclusive, podem ser tensoativos mais “leves”) capazes de promover uma boa higienização, em tese ele não deverá precisar conter Sulfatos.

Porém, como dissemos há alguns parágrafos, costumamos relacionar uma limpeza eficiente à produção de bolhas e, desta forma, criamos na nossa cabeça a ideia de que “se não espumou, não limpou de verdade“.

O grande problema por trás dessa percepção é que ela incentiva os fabricantes de produtos de higiene e beleza a incluir os Sulfatos em suas formulações.

E, como você vai descobrir agora, esses produtos não são tão inocentes assim.

Confira 3 motivos polêmicos pelos quais você vai preferir ficar longe dos Sulfatos!

1. Os Sulfatos podem causar irritações

Se você já sentiu aquela dor nos olhos quando deixou um pouco de shampoo cair neles, a culpa pode ter sido do Lauril Sulfato de Sódio!

Esse surfactante é um dos mais utilizados em materiais de higiene e beleza (como sabonetes e, até mesmo, cremes dentais!) e é muito conhecido por causar irritações alérgicas.

Para piorar, essas reações adversas podem ocorrer sem qualquer tipo de aviso!

Por exemplo, é possível que, de um dia para o outro, você perceba que sua pele ficou bastante ressecada após o contato com um sabão que você, até então, usava sem problemas.

Você também pode sentir incômodos na gengiva ao escovar seus dentes e descobrir que adquiriu uma alergia súbita ao seu creme dental!

Na verdade, muitos Profissionais de Odontologia têm se mostrado preocupados com as interações do Lauril Sulfato de Sódio com a mucosa da boca.

Além disso, esse composto nunca teve muito o que fazer em sua pasta de dente!

É verdade que, devido à sua ação surfactante, o Lauril Sulfato de Sódio pode dar uma mãozinha quando o assunto é a remoção mecânica dos resíduos que se depositam sobre o esmalte.

Porém, conforme explicamos em nosso post com as curiosidades sobre os cremes dentais, a retirada dos micro-organismos bucais perigosos é essencialmente garantida por uma escovação bem-feita, com ou sem a participação de um tensoativo.

Desta forma, podemos concluir que o Lauril Sulfato de Sódio de fato não traz uma contribuição muito significativa para a higiene oral e pode, na verdade, causar reações bem incômodas em quem o utilize.

2. O Lauril Éter Sulfato pode vir contaminado com produtos cancerígenos

O Lauril Éter Sulfato de Sódio é um ótimo exemplo do ditado “A emenda saiu pior que o soneto”.

Esse composto foi produzido como uma tentativa de amenizar os efeitos adversos causados pelo Lauril Sulfato, sendo uma variação química deste.

Porém, o tiro realmente saiu pela culatra. Apesar de o Lauril Éter Sulfato ser um agente de limpeza mais suave, seu processo de fabricação envolve produtos extremamente tóxicos.

Descubra a seguir as principais substâncias perigosas que podem contaminar o Lauril Éter Sulfato de Sódio!

Óxido de Etileno

Primeiramente, falaremos de uma das matérias-primas necessárias para a formação do Lauril Éter Sulfato.

O óxido de etileno é o composto empregado em reações de etoxilação. De forma resumida, esse tipo de procedimento químico é capaz de modificar certas substâncias e produzir novos surfactantes.

O problema é que esse óxido é um conhecido agente cancerígeno, sendo associado ao desenvolvimento destes tipos de tumores:

  1. Linfomas (tumores que comprometem o sistema de defesa do organismo contra infecções);
  2. Leucemia (câncer que afeta as células do sangue);
  3. Câncer de estômago;
  4. Câncer de mama.

Como as reações químicas não acontecem de forma “perfeita”, é comum que as substâncias envolvidas não se transformem completamente nos produtos.

Por isso, muitos receiam que possa sobrar uma quantidade significativa de óxido de etileno misturada ao Lauril Éter Sulfato, o que traria consequências desastrosas para a saúde.

1,4-Dioxano

Se o óxido de etileno era uma preocupação, o 1,4-dioxano é um verdadeiro alerta vermelho!

Essa substância é produzida junto com o Lauril Éter Sulfato de Sódio durante a reação de etoxilação. Isso quer dizer que, sempre que o Lauril Éter Sulfato é fabricado, o 1,4-dioxano também se forma.

Ainda por cima, com frequência esse composto não é filtrado de forma correta e realmente acaba contaminando diversos produtos de higiene e beleza.

Em termos dos riscos imediatos trazidos pelo 1,4-dioxano, já foi comprovado que este provoca irritações nos olhos e nas vias respiratórias de seres humanos.

Testes em animais (que, por mais que nem sempre sejam confiáveis, ainda são um parâmetro muito utilizado), por sua vez, indicaram que essa substância é capaz de causar câncer no fígado.

Por isso, em termos de classificação de risco, o 1,4-dioxano é, até o momento, considerado um possível material carcinogênico.

Pelo sim ou pelo não, é melhor tomar cuidado com qualquer produto que contenha o Lauril Éter Sulfato de Sódio, pois “ingredientes” perigosos podem estar presentes nele!

3. Os Sulfatos são tóxicos para organismos aquáticos

Nossa última observação sobre os Sulfatos faz referência às suas possíveis implicações ambientais.

Como praticamente tudo o que utilizamos regularmente acaba de alguma forma indo parar nos oceanos ou no subsolo, o receio de que esses compostos contaminem o meio ambiente é mais do que justificado.

E, de fato, embora ambos os Sulfatos que mencionamos no texto sejam rapidamente biodegradáveis, eles ainda podem trazer danos à natureza!

Por exemplo, o Lauril Sulfato de Sódio é extremamente tóxico para certos organismos aquáticos.

De acordo com a bióloga Stephanie Shipley, essa substância pode ser fatal para os crustáceos da espécie Daphnia magna, que fazem parte da base da cadeia alimentar marinha.

Neste caso, os seres vivos que se alimentam desses crustáceos provavelmente ficarão sem comida, aumentando a competição entre eles e gerando desequilíbrios ambientais.

Contudo, não é só o Lauril Sulfato que desperta a atenção dos defensores da natureza. O 1,4-dioxano não só não é tão rapidamente biodegradado como, também, é extremamente tóxico para muitos animais.

Além disso, esse composto facilmente se espalha pelos reservatórios subterrâneos de água, o que pode comprometer a qualidade dos líquidos que ingerimos diariamente.

O que torna essa situação ainda mais grave é o fato de até então não termos plena certeza dos efeitos do 1,4-dioxano sobre o organismo humano.

Portanto, o melhor conselho é a prevenção: quanto menos consumirmos produtos contendo Sulfatos, mais seguros estaremos em relação a todos esses possíveis problemas.

E este foi o nosso post sobre os Sulfatos! Se você quiser saber mais sobre outros ingredientes polêmicos de produtos de higiene e beleza, deixe um comentário.

Um abraço e até a próxima!

Outras Referências Científicas

  1. O Lauril Sulfato de Sódio irrita a mucosa oral e causa ulcerações aftosas;
  2. Métodos analíticos de determinação da quantidade de 1,4-dioxano presente no Lauril Éter Sulfato;
  3. Efeitos biológicos adversos dos Sulfatos;
  4. O Lauril Sulfato de Sódio é tóxico para espécies aquáticas;
  5. O 1,4-dioxano contamina reservatórios subterrâneos de água.
Leia também