Afinal, o que é “adsorção”?

Esta pergunta deve estar na “ponta da língua” de muita gente. Afinal de contas, nós, da Carvvo, estamos sempre falando que o nosso pozinho promove uma limpeza delicada e eficiente dos dentes através dessa tal “adsorção”. Se você já viu essa palavra brotar em diversos textos deste blog, mas ainda não sabe bem o que ela significa, pode se sentar porque lá vem história! Confira agora como funciona a adsorção e por que essa propriedade torna o Carvvo um poderoso aliado para a sua saúde bucal!


Se você estava trincando os dentes de curiosidade para saber como exatamente um pó preto poderia ser capaz de limpar a sua boca ou até atuar como um clareador dental, eis aqui o fim do mistério!

Acontece que os superpoderes de limpeza do Carvvo têm origem numa propriedade que vem sendo explorada pelos seres humanos desde os tempos de Matusalém (na verdade, um tanto antes, até!): a adsorção!

“Adsorção”? O correto não seria “absorção”?

Não se preocupe, você não leu errado! No ramo da ciência dos materiais, ambos os processos são estudados, ou seja, fala-se tanto em “absorção” quanto em “adsorção”. Contudo, embora as palavras sejam parecidas, os processos em si são bem diferentes, conforme explicaremos a seguir:

-> Absorção: a absorção acontece quando um material “engloba” ou “engole” outro, como quando as raízes das plantas sugam para dentro de si a água do solo. Você pode imaginar também a ação de uma esponja ao lavar os pratos, que fica “inchada” por ter absorvido uma mistura de água e detergente.

-> Adsorção: a adsorção, por sua vez, é definida como o processo de interação de um material com outro apenas através da superfície, ou seja, o objeto adsorvido não “entra” no adsorvente, ficando em vez disso “grudado” nele.

Por exemplo, pense que você decidiu aproximar um ímã de uma moeda. O que vai acontecer é que eles ficarão coladinhos um no outro, mas você jamais verá a moeda entrando no ímã ou vice-versa (a menos que, de repente, as leis do nosso Universo mudem, o que esperamos que não aconteça).

A imagem abaixo ilustra com mais clareza a diferença entre absorção e adsorção. Observe que, na absorção, a partícula passou para dentro do grão. Na adsorção, por sua vez, o que ocorreu foi que a partícula permaneceu presa à superfície de um poro.  

Imagem demonstrando tanto o processo de adsorção quanto o de absorção
Neste esquema, temos um grão qualquer (partícula do sorvente) interagindo com diversas partículas do sorvato. Em alguns casos, elas são absorvidas e, em outros, adsorvidas.

O carvão ativado é bastante conhecido por sua elevadíssima capacidade de adsorção. Quando processado de maneira correta, o carvão torna-se capaz de atrair os mais diversos tipos de moléculas, incluindo as que causam as manchas dos dentes. É por isso que ele tem sido bastante utilizado em máscaras faciais para a remoção do excesso de oleosidade!

Resumindo: na absorção, o material absorvido é incorporado ao absorvente, enquanto que na adsorção eles só ficam coladinhos um no outro!

GIF representando o fenômeno da adsorção
Aqui está uma representação de como ocorre o fenômeno da adsorção!

“Tá, mas para que serve isso mesmo?”

Para um montão de coisas! Por exemplo, ainda na Antiguidade as propriedades de adsorção da argila eram utilizadas para a secagem de materiais, para o manuseio de corantes e, também, para fins medicinais.

Séculos depois, as pessoas descobriram que o carvão era particularmente útil em casos de intoxicação, pois ele funcionava como um potente antídoto ao atrair as partículas dos venenos e impedir que elas fossem absorvidas pelo organismo.

É claro que, como você já deve estar suspeitando, os cientistas da época fizeram muitos testes em si mesmos para confirmar essa propriedade do carvão. Dizem que, em 1811, um químico francês chegou a se envenenar com uma dose de arsênico 150 vezes maior do que a necessária para matar um ser humano.

Por sorte, essa aventura teve um final feliz: o químico prontamente engoliu uma quantidade razoável de carvão e sobreviveu. Sendo verdade ou não, não invente de fazer isso em casa (ou na rua)!

Em termos de atividade desintoxicante absolutamente comprovada, podemos destacar o uso do carvão ativado como remédio para quem sofreu certos tipos de envenenamento ou, até mesmo, uma overdose.

Estudos científicos conduzidos nas últimas décadas concluíram que a eficiência do carvão como antídoto é maior se o paciente o ingerir até 1h depois do envenenamento.

Uma colher com um punhado de carvão ativado em pó junto a alguns tabletes de carvão ativado vendido em farmácia.
Nesses casos de envenenamento ou overdose, o carvão ativado precisa entrar rapidamente em ação!

Isso significa que o carvão ativado precisa entrar em contato com o organismo antes que a maior parte das toxinas sejam absorvidas, ou seja, ele deve atraí-las para a sua superfície “pelo meio do caminho”.

“E como eu sei que isso é mesmo seguro para meus dentes?”

Primeiramente, você deve saber que existem dois tipos de adsorção, a adsorção química e a adsorção física. E é neste ponto que nossa história fica mais interessante! Embora ambos os tipos de adsorção aconteçam na superfície em que os materiais têm contato um com o outro, essa interação ocorre de forma diferente.

De um modo geral, processos químicos envolvem uma reação de um material com outro, modificando as estruturas deles. Por exemplo, quando bebemos muita água com flúor, ele pode entrar em contato com o cálcio dos nossos ossos e formar uma nova substância, um sal chamado fluoreto de cálcio.

A corrosão de uma colher em contato com um ácido é um fenômeno químico!
Um exemplo de processo químico é a corrosão desta colher em contato com um ácido.

Processos físicos, por sua vez, não mudam em nada a natureza dos materiais envolvidos. Se pegarmos uma colher de sal e dissolvermos em água, o sal continuará sendo o sal e a água, água. Nós apenas vamos promover uma interação física entre esses componentes ao misturá-los, fenômeno explicado pelas leis da eletricidade.

Demonstração da mudança de estado físico da água (de líquido para sólido e vice-versa)
Por outro lado, a transformação de água em gelo (e vice-versa) é apenas um fenômeno físico.

Sabendo disso, podemos entender melhor as diferenças entre os dois tipos de adsorção:

-> Adsorção química: na adsorção química, ocorre uma reação entre o material adsorvente e o adsorvido, formando uma nova substância na superfície em que os dois estão em contato;

-> Adsorção física: na adsorção física, o adsorvente e o adsorvido apenas atraem um ao outro, exatamente como se fossem ímãs, e nenhuma reação acontece. Deste modo, não ocorrem mudanças nas estruturas dos materiais envolvidos nem a formação de novos compostos.

Você já deve ter sacado qual é o tipo de adsorção que acontece quando escovamos os dentes com o Carvvo! O carvão ativado age através da adsorção física, simplesmente atraindo e grudando as manchas em seus poros para, com toda a segurança e comodidade, arrastá-las para fora de sua boca após o enxágue!

Vale reforçar que o carvão que usamos em nosso pozinho é preparado de maneira a torná-lo completamente seguro para a higiene bucal! É importante registrar que os grãos do carvão ativado devem ter um tamanho ideal e uma grande quantidade de poros para que sejam adequados para uso.

Nosso pozinho é, por causa disso, submetido a um rigoroso controle de qualidade, justamente para garantir que os grãos vão ser finos o bastante para não desgastar o esmalte dos dentes pelo atrito e, também, que haverá o maior número possível de espaços capazes de atrair e segurar a sujeira.

Carvvo tem grãos ultrafinos e porosos, sendo o carvão ativado ideal para cuidar de seus dentes!
Pode conferir! Nosso pozinho é fino e delicado!

Portanto, não acredite nas fake news que andam espalhando por aí! Agora que chegamos ao final do texto, traremos para você uma curiosidade bem interessante sobre a história do carvão ativado. Ficou no hype?É só rolar um pouco mais a barrinha!  

Acredite se puder: Walt Disney já usou carvão ativado (e não foi numa de suas animações)!

Pois é, “ninguém nada, ninguém menos” do que Walt Disney decidiu, durante a Segunda Guerra Mundial, explorar as propriedades do carvão ativado! Mas não pense que foi porque ele queria escovar os dentes ou ficar com uma pele bonita. O motivo para isso foi muito mais sombrio.

Conforme aprendemos na escola, a Segunda Guerra Mundial foi um período de muito horror e tragédia. Na década de 1940, era comum que as pessoas tivessem muito medo de ser bombardeadas com um gás mortal, o que incentivava o emprego de máscaras especiais de proteção.

Essas máscaras usavam o carvão ativado para filtrar os gases tóxicos e, deste modo, impedir que o seu usuário fosse contaminado em caso de um bombardeio.

Londres, por ser uma das capitais mais ativamente envolvidas com os conflitos, terminou tornando-se uma referência do terror: adultos e crianças incorporaram as máscaras de gás à sua rotina e passaram a andar com elas para todos os lugares.

Temendo que os EUA eventualmente pudessem entrar na linha de fogo, Walt Disney pensou que seria melhor ao menos tentar suavizar a situação para as crianças. Foi assim que ele decidiu projetar máscaras personalizadas para o público infantil e, adivinha só? Elas tinham a cara do Mickey Mouse.  

Felizmente, não chegou a haver bombardeios com gases tóxicos porque eles haviam se mostrado uma estratégia militar não muito eficaz. O lado ruim disso foi que muitos explosivos foram utilizados no lugar desses gases, provocando um altíssimo número de mortes.

As máscaras do Mickey Mouse também não se tornaram muito populares, nem mesmo no auge da guerra, e hoje são apenas uma recordação macabra de um dos eventos mais tristes e perturbadores da humanidade. Mais bizarra do que o design dessas máscaras, só mesmo a história por trás delas.

Walt Disney apresenta aos militares a sua máscara de gás feita à imagem em semelhança (ao menos, em teoria!) do Mickey Mouse.
E esta foi uma verdadeira história de terror envolvendo a Disney!

E você? O que achou de todas essas informações sobre o processo de adsorção? Ou sobre o fato de o carvão ativado, por possuir esta propriedade, servir não só para limpar os seus dentes como também para lhe proteger de armas de guerra? Deixe um comentário com sua opinião e não deixe de conferir os outros posts do nosso blog!

Para saber mais:

  1. https://www.poison.org/articles/2015-mar/activated-charcoal
  2. https://draxe.com/activated-charcoal-uses/
  3. https://erenow.net/ww/british-military-respirators-anti-gas-equipment-two-world-wars/5.php

Publicações científicas:

  1. LIMA, João C. F. ESTUDO DE ADSORÇÃO DE ALARANJADO DE METILA EM CARVÃO ATIVADO, Salvador, 2017;
  2. https://www.donau-carbon.com/getattachment/76f78828-2139-496f-9b80-6b6b9bdc6acc/aktivkohle.aspx
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3377288
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